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Igreja Mundial no Amazonas faz culto sem máscara em terra indígena 'Não existe mais coronavírus, gente. Nós vencemos'

Um culto religioso na Terra Indígena Tikuna Feijoal reuniu mais de 40 pessoas para a comemoração do Dia das Mães neste domingo e resolveu...


Um culto religioso na Terra Indígena Tikuna Feijoal reuniu mais de 40 pessoas para a comemoração do Dia das Mães neste domingo e resolveu ignorar o decreto da prefeitura de Benjamin Constant, no interior do Amazonas, que proíbe os índios de deixarem suas aldeias. Nenhum dos fiéis da Igreja Mundial do Poder de Deus usava máscara, mas eram tranquilizados pelo pastor que os avisava para não temer a nada, pois o coronavírus havia sido vencido pelo poder de Deus. "Brasil não tem mais pandemia de coronavírus. Nós vencemos. Pandemia? Acabou!", diz no áudio obtido pelo EXTRA.

Em um vídeo postado nas redes sociais, é possível ver a presença de idosos, crianças e até um bebê de colo na cerimônia, todos sem proteção. A Igreja Mundial do Poder de Deus é a mesma do pastor Valdemiro Santiago, que tem oferecido feijão para a cura de coronavírus, em São Paulo. O Minsitério Público Federal (MPF) mandou o YouTube retirar o vídeo das redes. O MPF também apresentou uma notícia crime na qual pede investigação de Valdemiro por suposta prática de estelionato.

O líder da igreja em Feijoal é o pastor Davi Felix Cecílio, que se diz monitor bilingue da Fundação Nacional do Índio (Funai). Ele estava no púlpito conduzindo o encontro entre os fiéis, no domingo. Procurada, a Funai ainda não se manifestou sobre o vídeo e nem sobre o áudio. O servidor não atendeu às ligações e nem respondeu mensagens enviadas para o seu tefefone.

- Nós não precisamos ter medo do que acontece no Brasil. Estou muito feliz e agradecendo a Deus porque a pandemia de coronavírus não tem mais. Nós vencemos. Jesus em primeiro lugar. Deus profetizou dizendo que o Brasil não vai mais ser atingido pelo coronavírus. Nós não temos medo dessa doença. Não existe mais coronavírus, gente. Pandemia? Acabou! Não tem. E a vitória é do nosso senhor salvador Jesus Cristo - afirma no áudio o pastor.

Com 100 de 222 casos confirmados de coronavírus entre indígenas, a microrregião do Alto Solimões é considerada um foco da doença, onde já morreram 10 nativos, mais da metade de todos os óbitos registrados pela Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai). Nessa comunidade do Feijoal, onde aconteceu o culto, foram registradas quatro mortes.

O pastor tikuna ainda incentiva os fiéis a orarem pelo mundo e agradecer uma vez que já estão protegidos da doença.

- Não é para ter medo. Essa doença é de Deus, essa doença é dele. Deus colocou mais doença na China, nos países de primeiro lugar, que não acreditava em Deus. Essa é a vitória que Deus está dando para nós.

Ontem teve uma grande dia muito especial para as mães na igreja indígena mundial do poder de Deus.
Publicado por Givanildo Fernandes em Segunda-feira, 11 de maio de 2020

O coordenador do Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei Alto Solimões), Weydson Gossel Pereira, não quis comentar o caso. A Sesai ainda não se manifestou.

O Dsei de Alto Solimões é disparado o distrito com o maior número de casos (100) e também o de óbitos (10), em sua maioria indígenas kokama e tikuna. Logo depois estão Manaus (29), Parintins (20), Ceará (17) , Yanomami (14) e Leste Roraima (9).

Morte de adolescentes


Neste sábado, mais um adolescente indígena morreu vítima de coronavírus, novamente em Roraima. Raquel Raposo da Silva, de 17 anos, faleceu uma semana após procurar ajuda, com febre e dor de cabeça. Ela foi transferida no dia 4 de maio para o Pronto Socorro Cosme e Silva, em Boa Vista, recebeu alta no mesmo dia e seguiu para Casa de Saúde indígena (Casai), mas voltou a passar mal e teve o diagnosticado da Covid-19 confirmado. Ela chegou a ser internada às pressas no Hospital Geral de Roraima, onde teve piora de seu quadro respiratório e não resistiu.

Esta é a segunda vez que um adolescente indígena morre em decorrência de coronavírus desde que fora registrado o primeiro caso entre esses povos, há 40 dias. O primeiro foi o ianomâmi Alvanei Xrixana , de 15 anos. Ele também morreu no Hospital Geral de Roraima.

No total, o número de índios contaminados pela Covid-19 no Brasil chegou a 222, média de cinco casos por dia. O estado do Amazonas concentra 70% dos registros da doença. A Sesai diz 91 indígenas estão sob a suspeita e 128 já tiveram cura clínica.


informações de EXTRA

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