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A Terra visita nesta sexta-feira pela primeira vez um planeta-anão

Entre Marte e Júpiter, há uma região enorme que seria perfeita para a existência de mais um planeta. Mas pensa-se que Júpiter, com o seu ...

Entre Marte e Júpiter, há uma região enorme que seria perfeita para a existência de mais um planeta. Mas pensa-se que Júpiter, com o seu enorme tamanho e a gravidade que exerce, não deixou que isso acontecesse durante a formação do sistema solar. Em vez disso, existem milhões e milhões de calhaus dispersos naquela região, que se chama cintura de asteróides. Nesta sexta-feira, a sonda Dawn, da NASA, deverá entrar na órbita do maior corpo da cintura de asteróides, Ceres, o único planeta-anão existente no interior do sistema solar.

Nos próximos meses, a sonda vai estudá-lo para ajudar a compreender o início do sistema solar e a formação dos planetas há cerca de 4500 milhões de anos. É a primeira vez que uma sonda vai orbitar um planeta-anão.

A Dawn, que significa “amanhecer” em inglês, um nome que remete para o objectivo de compreender o início do sistema solar, partiu da Terra em 2007, com uma missão complexa e única pela frente. Primeiro, foi até ao asteróide Vesta, o segundo mais maciço da cintura. Esteve na órbita deste asteróide entre 14 de Agosto de 2011 e 22 de Maio de 2012, e analisou a sua superfície e o seu interior com três aparelhos: uma câmara, um detector de raios gama e de neutrões, e um espectrómetro. Depois, recomeçou a viagem em direcção a Ceres.

As duas fases da missão não estão desligadas, pelo contrário, complementam-se. A informação que a Dawn vier a obter sobre Ceres vai ser comparada com aquela que recolheu sobre Vesta. Os dois corpos, apesar de pertencerem à cintura de asteróides, terão composições diferentes e podem dar informações sobre a formação dos dois grandes grupos de planetas do sistema solar: os rochosos, que ficam mais perto do Sol, e se formaram num ambiente mais quente com menos água, como a Terra; e os planetas gigantes mais distantes do Sol, como Júpiter, que se formaram em zonas mais geladas e têm grande quantidade de água na sua composição.

Vesta, que está mais perto de Marte do que Ceres, tem cerca de 525 quilómetros de diâmetro e é bastante seco. A informação recolhida pela Dawn mostrou que este é um corpo protoplanetário, que sofreu o mesmo tipo de diferenciação do que a Terra no início da sua existência. Tem, como o nosso planeta, um núcleo metálico. Vesta também ficou conhecido por ter sofrido um grande impacto no seu Pólo Sul, onde há uma cratera gigante. Pensa-se que cerca de 5% dos meteoritos caídos na Terra são materiais roubados a Vesta durante esse impacto. Por isso, já muito se sabia sobre este grande asteróide.

De Ceres conhece-se menos. Mais longínquo do que Vesta, tem 975 quilómetros de diâmetro e perfaz um terço do material de toda a cintura de asteróides. É por isso bastante maior e mais redondo do que Vesta. A sua superfície equivale a 31 vezes a área de Portugal ou um pouco mais de um quarto do Brasil. Os cientistas acreditam que o interior de Ceres seja composto por camadas e tenha inclusivamente uma camada de gelo debaixo crosta.

Assim como Plutão, que em 2006 deixou de ter o estatuto de planeta para passar a ser planeta-anão, Ceres não é suficientemente grande para limpar a vizinhança de outros asteróides. Por isso, não tem direito a ser considerado um planeta, segundo a União Astronómica Internacional.

“Tanto Vesta como Ceres estavam a caminho de se tornarem planetas, mas o seu desenvolvimento foi interrompido pela gravidade da Júpiter”, disse Carol Raymond, investigadora principal do Laboratório de Propulsão a Jacto, o laboratório da NASA na Califórnia que comanda a missão. “Estes dois corpos são como fósseis do amanhecer do sistema solar e revelam as suas origens”, disse a investigadora, citada num comunicado da NASA.

A sonda, que irá girar em torno de Ceres a diferentes altitudes, vai poder descortinar os seus mistérios até 2016. Um dos segredos surgiu apenas nos últimos dias, depois de a Dawn ter captado imagens de Ceres à medida que se ia aproximando do astro. Numa delas, vêem-se dois pontos brilhantes no meio de uma cratera com 92 quilómetros de diâmetro, um pouco a norte do equador.

O ponto no centro da cratera é maior e mais luminoso do que o que está à sua direita. Mas ninguém sabe que material está a reflectir esta luz. Uma hipótese é que o grande impacto que originou a cratera tenha trazido para a superfície um material que está escondido na crosta e que reflecte a luz.

Nos próximos 16 meses, a sonda vai analisar a estrutura interna, a densidade, a massa e o campo gravítico do planeta-anão. Vai também tentar compreender a sua evolução térmica e o papel da água na sua geologia. “A Dawn está prestes a fazer história”, sublinhou por sua vez Robert Mase, responsável pela missão. “A nossa equipa está pronta e desejosa de descobrir o que Ceres tem reservado para nós.”

informações de Púplico

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