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Menino que atirou na professora era da Igreja Presbiteriana

Amigos da escola e da família do estudante afirmaram que David Mota Nogueira, 10 anos, era um garoto que não demonstrava qualquer atitude su...

Amigos da escola e da família do estudante afirmaram que David Mota Nogueira, 10 anos, era um garoto que não demonstrava qualquer atitude suspeita no dia a dia. Estudioso, calmo, religioso e alegre, o garoto tocava no grupo musical da Igreja Presbiteriana Independente, onde frequentava com a família pelo menos uma vez por semana, no bairro Mauá, próximo à escola.
A última vez que ele participou do culto foi na terça-feira, em cerimônia realizada na casa do vizinho. "Ele ficou o tempo inteiro por lá, orou bastante e leu a Bíblia, como sempre fazemos. Ele sempre foi um dos primeiros a chegar. Tinha alegria estampada no rosto e bom relacionamento com os pais. Foi uma surpresa para todos nós", disse o pastor da igreja, Jaime Pereira do Lago, 46 anos, que aproveitou para desmentir os rumores de que o estudante era manco ou tinha alguma deficiência física. "Isso é o que acaba com a gente", completou.
Outra aluna que conhecia David e o irmão, que tem 16 anos e está matriculado na mesma escola, contou que raramente o estudante falava alguma coisa em relação à família. "Era ótimo aluno e muito risonho", disse B.T.S, 16.
O estudante L.F.A, 15 anos, que cursa o 9° ano, testemunhou o momento seguinte após o disparo que matou o estudante. "Foi tudo muito rápido. Estava subindo de volta para a sala de aula e quando percebi ele tinha caído próximo do meu pé. Comecei a tremer e em seguida começaram a prender todos dentro das classes. Vai ser muito triste voltar para onde tudo isso aconteceu."

PÂNICO
Nos momentos seguintes aos disparos o clima foi de terror entre alunos e professores. Houve correria e alguns estudantes quase foram pisoteados enquanto todos se apressavam para sair o mais rápido possível da escola. A estudante S.F.O, 12 anos, do 6° ano, achou que tinham soltado alguma bomba dentro da escola. "Escutamos o barulho e fomos ver o que era. Foi um estrondo enorme e depois a professora pediu para que entrássemos na classe e ficássemos em silêncio. Em seguida saímos em direção ao pátio. Tinha muito sangue na escada", contou.
Quando a equipe do Diário chegou à escola, pais e crianças chorando ainda estavam assustados com o assassinato. A lembrança do episódio das mortes ocorridas em uma escola de Realengo, no Rio de Janeiro, há cinco meses, apavorou pais e mães, que abraçaram seus filhos aliviados. "Liguei para minha mãe de dentro da escola. Foi desespero total. Todos saíram correndo com medo que tivesse algum bandido armado", disse a mesma garota, que estuda na sala ao lado da de David.

Ele era alvo de gozação, dizem colegas
A falta de diálogo e prevenção a situações de violência podem levar a tragédias como a que aconteceu ontem na Escola Municipal Alcina Dantas Feijão, em São Caetano. Conforme relatos de estudantes, o aluno do 4º ano do Ensino Fundamental David Mota Nogueira, 10, era manco e sofria gozações. O bullying pode ser uma das causas que levaram o menino a atirar contra a professora Rosileide Queiros de Oliveira, 38 anos, e depois contra si.
"O pessoal da sala dele zoava muito com a deficiência", disse outro aluno da escola, Cayan de Castro Amorim, 14.
Para a psicóloga Thais Petroff, o fato de uma criança sofrer provocações de colegas e sentir que a professora não está lhe protegendo pode gerar comportamentos irracionais, assim como no caso de uma bronca mal-interpretada, vista como humilhação.
Segundo a pedagoga especialista em Educação especial e inclusiva Maria José de Oliveira Russo, a Marjô, a situação demonstra a necessidade de promover o diálogo sobre inclusão nas escolas. "Isso não deve ser atribuído apenas às crianças com deficiência, mas a todos os alunos que, de alguma forma, sentem-se diferentes", avalia.
Para Marjô, é preciso dizer não a qualquer tipo de preconceito, rotulação ou estigma, e o professor tem papel fundamental nessa questão. "O educador precisa saber que a violência está na sociedade em geral e, consequentemente, dentro das escolas. É preciso ensinar o respeito às diferenças."
Para o especialista em segurança pública Jorge Lordello, a criança provavelmente deu indícios do que pretendia fazer. "São os sinais exteriores da violência, que muitas vezes são ignorados. Esse menino premeditou a ação. Seria possível prevenir se ele tivesse recebido apoio e atenção quando manifestou os primeiros sinais", avaliou Lordello.
Sinais de que algo não anda bem com o filho podem ser percebidos pelos próprios pais já dentro de casa. "Criança normalmente é alegre, agitada, mas se ela anda mais triste, depressiva, pode ficar de olho e ter certeza de que algo está errado", afirmou a psicóloga Thais Petroff.

Atirador do Rio de Janeiro chocou o País neste ano
O caso do pequeno atirador de São Caetano não é o único registrado neste ano no País. Em abril, Wellington Menezes de Oliveira, 23 anos, ex-aluno da Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, matou dez meninas e dois meninos e feriu outros 12 estudantes. Após ser detido por policiais com um tiro no abdômen, Oliveira se suicidou com um disparo na boca.
O Grande ABC já registrou mortes de estudantes em escolas. Nos anos 2000, Eduardo Gianotti Russo, 18, foi morto no pátio da Escola Estadual Profª Maria Osório Teixeira, no Jardim Belita, em São Bernardo. O rapaz tinha passagens pela polícia por receptação de produto roubado e porte ilegal de arma.
No mesmo ano e ainda na cidade, o estudante Rafael Lopes Porfírio dos Santos, 15, foi morto com um tiro no peito a menos de 200 metros da EE Reverendo Omar Daibert, na Vila Carminha.
Dois anos depois, disputa por uma garota teria sido o motivo para um aluno de 13 anos ter sido baleado por um colega no pátio da EE Joaquim Moreira Bernardes, no Jardim Silvina, também na cidade.
No ano seguinte, uma troca de tiros por causa de R$ 100 deixou dois feridos na Escola Estadual Vila São Pedro 3. Ainda em 2003, uma professora da EE Ordânia Janone Crespo, no bairro Santa Maria, em Santo André, foi baleada por um aluno de 13 anos.
Nos últimos anos, vários jovens foram flagrados com armas em escolas da região. O último caso, registrado no início deste mês, foi de um estudante do 8º ano do Ensino Fundamental que entrou armado na EE Mirna Loide Correa Ferle, no Jardim Itapeva, em Mauá.

Escola tem os melhores índices do Estado
Mesmo com excelentes índices educacionais conquistados, a EME Prof.ª Alcina Dantas Feijão não conseguiu evitar a tragédia de ontem. A escola, com cerca de 2.000 alunos, foi destaque no Exame Nacional do Ensino Médio de 2010, no qual obteve a melhor nota entre as escolas públicas não técnicas do Estado.
A nota foi de 618,27 pontos e cresceu em relação ao ano anterior, quando os alunos conquistaram 589,89 pontos no Enem. A média nacional é de 533 pontos.
Além do destaque no Enem, em julho de 2010, o Ministério da Educação divulgou os dados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica que apontaram a EME Prof.ª Alcina Dantas Feijão como a melhor escola pública paulista para alunos da 5ª à 8ª séries do Ensino Fundamental.
São Caetano ainda conquistou, neste ano, o posto de município mais seguro do País para jovens de 12 a 29 anos, de acordo com pesquisa realizada em 266 cidades com mais de 100 mil habitantes de todo o Brasil pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. (reportagens de André Vieira, Bruna Gonçalves, Camila Galvez e Maíra Sanches) DGABC

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