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Evo convoca Exército da Bolívia para vender pão e amenizar crise política

O Exército boliviano começou ontem a vender pães nas cidades de La Paz e El Alto para evitar a escassez em razão da adesão dos padeiros à gr...

O Exército boliviano começou ontem a vender pães nas cidades de La Paz e El Alto para evitar a escassez em razão da adesão dos padeiros à greve geral contra o aumento de 83% dos combustíveis decretado pelo presidente Evo Morales no domingo. Na noite de quinta-feira, Evo ordenou às Forças Armadas que controlassem o abastecimento e assumissem funções como as de motorista de ônibus e a de piloto de aviação comercial, para amenizar a revolta popular.

Depois de cinco dias de intensos protestos, que deixaram 15 feridos e 21 detidos, as cidades de La Paz, El Alto e Cochabamba amanheceram ontem em calma. As principais centrais sindicais e organizações de trabalhadores do país anunciaram uma "trégua" no último dia do ano, mas prometeram retomar as manifestações no início da semana que vem.

A crise boliviana começou no domingo, quando Evo decretou o chamado "gasolinazo", um aumento de 73% da gasolina, de 83% do diesel e de 99% do querosene de aviação. A justificativa foi a necessidade de retirar cerca de US$ 380 milhões em subsídios anuais, que seriam investidos em outros setores da economia boliviana.

Confisco. O resultado foi um efeito em cascata no preço de produtos básicos, como o pão, que subiu 87%, e nas tarifas de transporte público. A medida também causou uma repentina corrida aos bancos para a retirada de dinheiro, o que obrigou o governo a garantir publicamente que não haveria confisco bancário no país.

Revoltada, a população protestou e vários confrontos com a polícia foram registrados em La Paz e nas cidades de Cochabamba e El Alto. Acuado, Evo deu, na quarta-feira, o primeiro sinal de que tentaria compensar o "gasolinazo" ao decretar um aumento salarial de cerca de 20% para trabalhadores de setores importantes da economia, como educação, saúde e segurança, além de prometer novos incentivos agrícolas.

A estratégia não deu resultado, e a quinta-feira foi violenta em praticamente todas as regiões da Bolívia. A greve no transporte público paralisou La Paz. O caos foi agravado por bloqueios nas principais estradas que dão acesso à capital.

Violência. Na quinta-feira, no centro da cidade, a imprensa boliviana mostrou manifestantes queimando uma bandeira da Venezuela em meio a gritos de protesto contra o presidente venezuelano, Hugo Chávez, aliado político de Evo.

Em El Alto, um grupo de trabalhadores fez uma fogueira aos pés de uma estátua do guerrilheiro argentino Ernesto Che Guevara, admirado pelo presidente boliviano. A multidão também incendiou e saqueou escritórios estatais de cobrança de pedágio na estrada que liga a cidade a La Paz e apedrejou prédios municipais e sindicais governistas. Dezenas de policiais que tentavam controlar o grupo fugiram após serem apedrejados por manifestantes.

Em Cochabamba, a sede dos cocaleiros e a do partido de Evo, o Movimento ao Socialismo (MAS) foram atacadas. Assim como em La Paz, caminhões bloquearam o trânsito nas vias de acesso à cidade.

Ontem, diante de uma das mais graves crises políticas em seus cinco anos à frente do país, o presidente boliviano reafirmou que assumirá os custos políticos da medida e não voltará atrás.

Trabalhadores da estatal Huanuni, maior mineradora da Bolívia, localizada na cidade de mesmo nome, anunciaram uma marcha no Departamento (Estado) de Oruro e uma greve de 24 horas na terça-feira.
"Na próxima semana teremos uma ideia melhor de como se fortalecerão os protestos. Em todo o caso, é certo que teremos um 2011 muito complicado, principalmente porque a vida nacional voltou a ficar polarizada", afirmou o analista político Jorge Lazarte. "Evo sofre as consequências dos excessos de seu próprio discurso e de suas promessas, que sua base política agora está exigindo que ele cumpra."

Rachas na base. A situação política do presidente parece se deteriorar rapidamente. Ontem, até mesmo aliados históricos criticaram suas medidas, classificadas de "neoliberais".

Os sindicatos cocaleiros, em assembleia de emergência realizada em Chapare, pediram a anulação do "gasolinazo".

Evo, que surgiu como líder do movimento cocaleiro na região, não compareceu ao encontro. Ele preferiu enviar seu vice, Alvaro García Linera. / REUTERS, AP, AFP E EFE

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