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Pastor admite desvio em algumas denominações evangélicas

A reportagem publicada na revista Época do dia 9 de agosto sobre um movimento de evangélicos que defendem uma nova reforma protestante e cr...

A reportagem publicada na revista Época do dia 9 de agosto sobre um movimento de evangélicos que defendem uma nova reforma protestante e criticam o consumismo, a corrupção e os dogmas das igrejas foi bem recebida no meio evangélico de Jales e pelo pastor e conferencista Ariovaldo Ramos, presidente da Visão Mundial no Brasil e ex-presidente da Associação Evangélica Brasileira, durante sua visita à Vide - Igreja Batista da Comunidade, no dia 13 de agosto.
Nesta entrevista ao Jornal de Jales, ele explica que o grupo comentado na reportagem defende a volta às bases éticas e morais da Reforma de um modo que o brasileiro possa entender. Ele também prega a retomada da igreja comunitária, contribuindo para a construção de uma sociedade mais justa e solidária.

Para o pastor Honório Amadeu Júnior, da Vide Igreja Batista da Comunidade, Ariovaldo Ramos é uma referência ética do pensamento evangélico no Brasil de hoje. Por isso, a sua presença em Jales contribui muito, norteando o rumo que as igrejas locais devem tomar, voltadas para as comunidades e não para os seus próprios interesses. Nisso, segundo Honório, Ariovaldo Ramos tem sido um expoente, no meio evangélico. (D.R.J.)

J. J. – A Revista Época de 9 de agosto publicou uma reportagem de capa intitulada Os Novos Evangélicos, dizendo que existe um movimento destinado a propor um protestantismo à brasileira. O que o senhor acha disso?
Pastor Ariovaldo Ramos – Achei a reportagem positiva, conheço as pessoas que foram citadas e de fato eles estão fazendo uma proposta de um protestantismo que mantém as bases éticas do movimento da Reforma com um formato que o brasileiro consegue absorver.

J. J. De que maneira isso pode se materializar Brasil afora?
Pastor Ariovaldo – O fato da revista ter registrado já demonstra que a coisa está se expandindo. Isso tem acontecido por meio de congressos que estão sendo levados a efeito por toda a nação onde essas pessoas e outras que partilham da mesma visão estão comunicando o que estão realizando nas suas comunidades locais e como isso pode ser retomado em cada comunidade cristã espalhada pelo país. Está havendo muita receptividade, muitos líderes locais estão repensando a sua fé e retomando as bases da Reforma, a ética da Reforma de uma forma nacional, culturalmente palatável.

J. J. – A reportagem fala muito também na questão ética. Está havendo falta de ética em algumas denominações?
Pastor Ariovaldo – Infelizmente, sim. É notório. A gente não gostaria de dizer sim a uma pergunta como esta, mas não tem como fugir disso. Na verdade, nós temos um desvio em algumas denominações que se auto-intitulam evangélicas, mas que não se portam mais segundo os princípios da Reforma. Esse grupo ao qual a Época chamou a atenção está justamente revendo isso. Quais são as bases da Reforma? As bases da Reforma são a ética, a moral, o trabalho, a justiça, a liberdade, a comunhão e a fraternidade. Isso precisa ser retomado urgentemente e lamentavelmente há denominações, inclusive com irradiação nacional, que se esqueceram das bases da Reforma. Isso não pode continuar assim, mas esse grupo está insistindo em denunciar e em rever.

J. J. – Aqui na sua palestra na Igreja Vide, o senhor se referiu ao importante papel que as igrejas locais podem desempenhar nesse momento, no nosso país. Gostaria que o senhor explicasse isso melhor.
Pastor Ariovaldo – Eu acho que a fé cristã sempre foi uma fé comunitária. Embora nós tenhamos grandes organizações cristãs, inclusive nacionais e internacionais, elas vieram a posteriori. A fé cristã nasceu comunitária e sempre foi de comunidades locais, que atuam na região onde estão, irradiando a sua fé, a sua ética e o seu trabalho e dando sua contribuição para uma sociedade mais justa. Então, eu penso que precisamos, em cada cidade, retomar essa visão comunitária e retomar a nossa missão de contribuir para uma sociedade mais justa, equânime, solidária, uma sociedade onde haja acesso ao direito de todos, uma sociedade libertária e comprometida com o ser humano. Eu penso que as igrejas locais podem fazer isso retomando o convívio segundo as bases históricas da fé cristã e se envolvendo como solução para problemas comunitários, seja na área da educação, da formação, da construção de uma sociedade mais justa, socorrendo os necessitados, os pobres, enfim, deixando claro que a presença de Jesus Cristo nos faz olhar para o ser humano como irmão e nos faz responsabilizar por sua dor e nos responsabilizar em ser a resposta para suas carências e necessidades.
Igreja de consumo

O pastor Elias Fernandes de Matos, o mais antigo em atividade em Jales, concorda com a matéria publicada na revista Época e com as afirmações do pastor Ariovaldo Ramos sobre o assunto.
Segundo ele, a igreja, hoje, precisa resgatar valores que ao longo dos anos foram se desgastando, fazendo com que ela, de repente, vire uma igreja de consumo, ou seja, as pessoas vão ao templo para receber algo.

A igreja que Jesus estabeleceu, como lembrou, não era assim. As pessoas se reuniam nas casas, onde um tentava ver a problemática do outro, pois tem que haver esse contato, o que é impossível numa igreja com mais de 80 ou 100 pessoas. “Costumo dizer que acima disso, o pastor finge que pastoreia e eles fingem que são pastoreados”, disse Elias, lembrando que o pastoreio é esse contato, é sentir juntos a tristeza, a alegria, e isso fica impossível se as reuniões não forem em pequenos grupos.
Elias lembra que desde que esse sistema foi adotado em Jales, há 12 anos, ele tem sentido uma evolução fantástica, não só do ponto de vista numérico, pois isso é uma conseqüência, mas nas relações, no crescimento pessoal, no envolvimento de uns com os outros. As pessoas se sentem mais valorizadas, mais acolhidas. O culto aos domingos passou a ser chamado de grande celebração, pois o dia-a-dia é feito nas casas, nos grupos pequenos onde a pessoa é acompanhada e pode se abrir, os problemas de cada um são resolvidos no próprio grupo que passa a viver um novo estilo de vida./Jornal de Jales

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