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Morre o escritor José Saramago; Igreja Católica em Portugal lamenta

O escritor português e Prêmio Nobel de Literatura José Saramago morreu por volta das 8h (horário de Brasília) desta sexta-feira (18) aos 87...


O escritor português e Prêmio Nobel de Literatura José Saramago morreu por volta das 8h (horário de Brasília) desta sexta-feira (18) aos 87 anos em sua residência em Lanzarota, nas Ilhas Canárias, após tomar seu café da manhã ao lado da mulher, a tradutora Pilar del Río.

A Fundação José Saramago informou em comunicado que o escritor morreu "em consequência de uma múltipla falha orgânica, após uma prolongada doença". "Ele se despediu de uma forma serena e tranquila", diz o anúncio.
Saramago sofria graves problemas respiratórios. Nos últimos anos, o escritor foi hospitalizado várias vezes, após sofrer uma grave pneumonia no final de 2007 e início de 2008.

A Igreja Católica em Portugal lamentou a morte do escritor - ateu e crítico. O diretor do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura da Conferência Episcopal Portuguesa, Padre José Tolentino, e o porta-voz da conferência, Padre Manuel Morujão, disseram que o país perde um "expoente" e que a igreja perde um crítico com o qual soube dialogar constantemente. "Seja como for, o diálogo nunca foi cortado e sempre foi possível", disse padre Manuel Morujão.

Velório

O corpo do escritor é velado biblioteca da cidade espanhola de Tías, em Lanzarote. O enterro será em Lisboa em uma data ainda não determinada. De acordo com o site do jornal português "Diário de Notícias", o governo vai deslocar um avião da Força Aérea nas próximas horas para levar o corpo do escritor de Lanzarote para Lisboa, onde ocorrerá outro velório.

De família humilde, José de Sousa Saramago nasceu no dia 16 de novembro de 1922 numa aldeia do Ribatejo chamada Azinhaga, a 100 quilômetros de Lisboa, embora seu registro oficial aponte o dia 18. Filho dos camponeses sem terra José de Sousa e Maria da Piedade, mudou-se para Lisboa aos 2 anos, onde viveu grande parte de sua vida. Foi forçado a abandonar a escola e trabalhar desde cedo para ajudar a família.

Após uma confrontação pública com o governo português, em 1992, mudou-se no ano seguinte para as Ilhas Canárias, onde vivia desde então.

Fascinado pela literatura desde jovem, visitava com grande freqüência a Biblioteca Municipal Central Palácio Galveias, na capital portuguesa. Foi só aos 19 anos, com dinheiro emprestado de um amigo, que conseguiu comprar pela primeira vez um livro.

Ateu, Saramago era membro do Partido Comunista Português. Em 1947, publicou o seu primeiro livro, o romance "Terra do Pecado".

Além de mecânico, o escritor português trabalhou como desenhista, funcionário público, editor, tradutor e jornalista. Trabalhou durante doze anos numa editora, e colaborou como crítico literário na Revista "Seara Nova".

Entre 1972 e 1973, participou da redação do jornal "Diário de Lisboa", onde comentou política e, anos depois, o suplemento cultural. Fez parte também da primeira Associação Portuguesa de Escritores. Em 1975, foi diretor-adjunto do "Diário de Notícias". E desde 1976 viveu exclusivamente da literatura. Também ganhou o Prêmio Camões, o mais importante da literatura de língua portuguesa.

O estilo de Saramago era único na literatura contemporânea. Era conhecido por utilizar frases e períodos longos usando a pontuação de uma maneira não-convencional (aparentemente errada aos olhos da maioria). Em suas obras, os diálogos das personagens são inseridos nos próprios parágrafos que os antecedem, a ponto de o leitor confundir se o diálogo foi real ou apenas um pensamento.

Em alguns momentos, chegou a ser comparado com outro ganhador do Nobel de Literatura o colombiano Gabriel García Márquez, pois alguns viram em Saramago uma pitada do realismo mágico latino-americano, particularmente na estratégia de mesclar personagens fictícios e históricos.

Polêmicas

A carreira de Saramago foi marcada por polêmicas. Suas opiniões pessoais sobre religião e o esforço internacional contra o terrorismo foram rebatidas no mundo. O Vaticano chegou a repudiar a atribuição da honraria de Prêmio Nobel a "um comunista inveterado".

A obra O Evangelho Segundo Jesus Cristo (1991) foi motivo de crítica ferrenha por parte de grupos religiosos que a consideram uma ofensa à Igreja.

O escritor tinha uma posição bem crítica em relação à posição de Israel no conflito contra os palestinos. Em 2003, numa visita a São Paulo, afirmou ao Jornal "O Globo" que os judeus não merecem a simpatia pelo sofrimento que passaram durante o Holocausto. Completou ser abusiva a atitude deles (dos judeus) em esperar o "perdão por tudo o que fazem em nome do que sofreram no Holocausto". "Eles não aprenderam nada com o sofrimento dos seus pais e avós", falou o escritor.

A Anti-Defamation League (ADL), um grupo judaico de defesa dos direitos civis, caracterizou os comentários do escritor como sendo anti-semitas. "Os comentários de José Saramago são incendiários e profundamente ofensivos. sugere um preconceito contra os Judeus", rebateu Abraham Foxman, diretor da ADL.

Em defesa de Saramago, diversos autores afirmaram que ele não se manifestava contra os judeus, mas contra a política de Israel.

Em julho de 2009, o escritor afirmou ao jornal "Diário de Notícias" que os portugueses só tinham a ganhar se Portugal fosse integrado na Espanha. / Gazeta do povo

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