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Israel sob pressão para ceder no arsenal atómico

Ao fim de 15 anos de esforços, os países árabes conseguiram nas Nações Unidas, em Nova Iorque, um acordo sobre proliferação nuclear que abre...

Ao fim de 15 anos de esforços, os países árabes conseguiram nas Nações Unidas, em Nova Iorque, um acordo sobre proliferação nuclear que abre caminho a uma conferência de desnuclearização do Médio Oriente. O acordo envolveu 189 países e os Estados Unidos aceitaram incluir uma referência a Israel, o que motivou a resposta irritada dos israelitas, que acusam a declaração final de "hipocrisia", pois não menciona Irão ou Coreia do Norte.

A conferência de acompanhamento do Tratado de Não Proliferação (TNP), que se realizou na sede da ONU, resultou na aprovação de uma declaração de 28 páginas onde uma única frase refere o Estado de Israel, repetindo uma posição anterior de que este país se deve juntar ao Tratado.

Existe acordo para a realização em 2012 de uma conferência que visa estabelecer no "Médio Oriente uma zona livre de armas nucleares e todas as outras armas de destruição maciça". Foram também aprovadas linhas de acção em cada uma das áreas do TNP: desarmamento, verificação dos programas nucleares dos países e uso pacífico da energia nuclear.
O acordo foi elogiado por Barack Obama, que o considerou "equilibrado". Na opinião do presidente americano, "este acordo inclui etapas equilibradas e realistas que farão avançar a não proliferação, o desarmamento nuclear e a utilização pacífica da energia nuclear, que são os pilares do regime global de não proliferação". A Administração Obama tem sublinhado a importância do tema na estratégia de segurança dos EUA.

Na negociação em Nova Iorque, a proposta árabe de desnuclearizar o Médio Oriente foi apoiada por uma aliança de 118 países. Em 1995, os Estados árabes tinham aceite a extensão do TNP em troca da conferência para o Médio Oriente. Agora, esta tem data marcada, embora os americanos digam ter "sérias reservas" sobre a sua viabilidade.

O conselheiro de segurança nacional dos EUA, James Jones, foi o primeiro a dar eco a estas dúvidas. Antes de se poder negociar o desarmamento, explicou, é preciso garantir que todos os países cumprem as suas obrigações na não proliferação e no controlo de armamentos. Os EUA afirmam que a conferência só se realizará se "todos os países se sentirem confiantes de que podem participar".

A chefe da delegação americana, subsecretária de Estado Ellen Tauscher, sublinhou que tudo depende de um acordo de paz mais extenso. "Ninguém comparece voluntariamente numa conferência de desarmamento se estiver em guerra com os seus vizinhos", disse a representante americana.

Apesar destas reservas, para Israel a conferência de desnuclearização é potencialmente embaraçosa, pois existe a suspeita de que os israelitas possuem entre cem e 200 ogivas (Israel nunca confirmou ou desmentiu). Isto aumenta a pressão para que este país adira ao TNP, submetendo-se às regras da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), organismo da ONU que controla toda a tecnologia nuclear. Uma conferência desta natureza poderia colocar Israel e Irão no mesmo saco.
O Irão tem levantado a questão das supostas armas israelitas. Teerão recusa-se a suspender o seu próprio programa de enriquecimento de urânio, alegando que este servirá apenas para usos civis, mas as potências não acreditam e querem reforçar as sanções. Na conferência de acompanhamento do TNP, os iranianos foram dos mais inconformados, mas acabaram por aceitar os termos do acordo final, lamentando a ausência da data de 2025 para o total desarmamento na região.

Israel reagiu à declaração final com críticas duras, nomeadamente de hipocrisia. "Só Israel é mencionado, enquanto o texto ignora países como Índia, Paquistão e Coreia do Norte, que possuem armas nucleares, ou mais grave ainda, o Irão, que as procura" desenvolver, afirmou um alto responsável do governo israelita, citado pela AFP e que pediu anonimato. "Os países árabes aproveitaram a fraqueza dos países ocidentais para extorquirem concessões nas costas de Israel", comentou.

A ausência da Coreia do Norte da declaração é ainda mais estranha à luz da actual crise na Península Coreana e de um relatório da ONU, divulgado na sexta-feira, onde se afirma que Pyongyang está a a exportar tecnologia nuclear, num desafio às sanções da própria ONU. Os norte-coreanos fizeram dois testes nucleares (um, falhado, em 2006; o outro, bem-sucedido, em 2006) e usam empresas fictícias para o contrabando. /DN sapo

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