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Igreja vê com desagrado criação da primeira célula por mãos humanas

Craig Venter, o cientista que já fora co-responsável em 2000 pela primeira sequenciação do genoma humano, anunciou ontem que a sua equipa co...

Craig Venter, o cientista que já fora co-responsável em 2000 pela primeira sequenciação do genoma humano, anunciou ontem que a sua equipa conseguiu criar a primeira célula viva com um genoma sintético.

"Este cromossoma - o elemento portador da informação genética - foi produzido a partir de quatro frascos de substâncias químicas e um sintetizador e tudo começou com informações informáticas", indicou Venter para assinalar que a descoberta poderá ajudar a compreender os mecanismos da vida e à produção de vacinas.

Já hoje, altos dirigentes da Igreja Católica manifestaram a sua perplexidade e inquietude perante o anúncio que abre caminho à fabricação de organismos artificiais.

"Nas mãos erradas, trata-se de uma descoberta que amanhã poderá levar a um salto para um desconhecido devastador", considerou o bispo Domenico Mogavero, o presidente da comissão para os assuntos jurídicos da Conferência episcopal italiana, em declarações ao jornal La Stampa.

Mais clerical, Mogavero acrescenta que "o Homem vem de Deus mas não é Deus: continua a ser humano, a quem é possibilitado criar vida através da procriação e não mediante a criação artificial".
Do ponto de vista da ética, Domenico Mogavero adverte que "é a natureza humana que concede a sua dignidade ao genoma humano, não o contrário. O pesadelo a combater é a manipulação da vida, a eugenia".

No seguimento desta perspectiva mais pragmática, Bruno Forte, arcebispo de Chieti-Vasto, afirma que "a preocupação pode ser resumida na seguinte questão: "Será que tudo o que é cientificamente possível é igualmente correcto de um ponto de vista ético?".

Sustentando que a Igreja olha para estas pequisa "não com uma pre-rejeição mas com atenção e simpatia" e que ele próprio "admira as capacidades da inteligência humana manifestadas de forma singular e elevada", Bruno Forte defende no Corriere della Sera que a resposta àquela questão "reside num parâmetro que nos une a todos, não apenas os cristãos: a dignidade do ser humano".
Venter sublinha "passo importante científica e filosoficamente"

O investigador sublinhava ontem que o evento que é a criação da primeira célula artificial "mudou o meu ponto de vista da definição de vida e do seu funcionamento".

"É uma ferramenta muito poderosa para projectar o que queremos que exista em Biologia", sustentou o cientista norte-americano.

Em termos utilitários, a descoberta hoje publicada na revista Science poderá vir a permitir a criação de algas capazes de capturar dióxido de carbono e produzir outros tipos de hidrocarbonos para serem utilizados em refinarias. Em causa poderá estar ainda a produção de vacinas, bactérias para limpar a água ou novos ingredientes alimentares. /RTP

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