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Igreja cobra até R$ 2.110 por casamento

 Publicado em 23 de abril 2010 O casamento nas igrejas católicas no Grande ABC pode custar até R$ 2.110, somente em taxas para a instituiçã...

 Publicado em 23 de abril 2010
O casamento nas igrejas católicas no Grande ABC pode custar até R$ 2.110, somente em taxas para a instituição. O Diário esteve em 20 igrejas da região e encontrou em oito delas cobranças adicionais. Com esses custos extras, o valor exigido chega a superar em mais de quatro vezes a soma indicada pela Diocese de Santo André como o que deveria ser cobrada pela celebração: R$ 510.

A igreja mais cara é a Paróquia Sagrada Família, no Centro de São Caetano. Lá a cerimônia a princípio sai por R$ 1.110. Mas, se os noivos quiserem trazer músicos, decoradores e fotógrafos a sua escolha terão de pagar mais R$ 1.000 para a igreja, totalizando R$ 2.110.

Há dois anos, a relações públicas Mariana Zola, 28 anos, não poupou esforços para se casar nessa igreja. Agora, ela se mostra indignada ao falar nos valores cobrados. "Tive a impressão que se eu não pagasse o que eles queriam, outro pagaria e eu perderia a vaga. Ainda tive que abrir mão do meu decorador, porque queriam cobrar uma taxa impraticável para que ele pudesse trabalhar. Aquele é um local de culto, não poderia haver a cobrança", destacou.

Prática semelhante acontece em outra paróquia da cidade, a Nossa Senhora Aparecida, no bairro Barcelona. A taxa para o casamento é de R$ 1.000. A secretária diz que não há cobrança para os noivos trazerem profissionais de sua escolha. No entanto, se o casal não usar o músico indicado pela igreja, terá de pagar por dois horários de casamento, ou seja mais R$ 1.000, totalizando R$ 2.000. Neste local, a secretária fez questão de ressaltar as vantagens desta paróquia em relação à Sagrada Família. "Aqui é mais barato, e temos estacionamento para os convidados", afirmou.

A Catedral do Carmo, no Centro de Santo André, cobra R$ 1.440 para cerimônia com efeito civil. Se os noivos optarem por contratar o músico indicado pela igreja pagam mais R$ 110, totalizando R$ 1.550. Mas, se quiserem um outro profissional, essa taxa sobre para R$ 230, totalizando R$ 1.670. A decoração é feita exclusivamente por uma empresa indicada pela igreja.

COMÉRCIO - Para o ex-padre e um dos fundadores do Movimento Nacional das Famílias dos Padres Casados, Abel Abatti, 69, a cobrança de taxas para a celebração de casamentos é reprovável. "Sou contra. Isso é um comércio. Os padres não podem se esquecer que são meras testemunhas do casamento perante a Deus", destacou Abatti, que foi sacerdote na década de 1970.

Casais devem procurar outros lugares

Para especialistas em direito do consumidor consultados pelo Diário, a prática das igrejas de oferecer listas de profissionais para casamentos e cobrar taxas extras de empresas não cadastradas é considerada prática de venda casada. Para os casais, porém, resta apenas a alternativa de procurar outra paróquia.

"O ato em sí é ilícito, pois a cerimônia de casamento é atrelada a contratação de determinados profissionais. Mas a igreja, por não ser uma empresa, com certeza irá alegar que não existe uma relação de consumo. É uma argumentação questionável, mas que é possível", afirmou o advogado Antônio de Almeida e Silva.

Opinião semelhante é a da também advogada Polyanna Carlos da Silva. "A igreja tem autorização para cobrar pela cerimônia, mas não pode vincular serviços. O difícil vai ser provar a existência da relação entre empresa e consumidor", disse. DGABC /iGoospel

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