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A Fé, pirataria e crueldade estendem vergonha em Arapiraca

 Publicado em 24 de abril 2010 Não há, em Arapiraca, quem não tenha assistido ou pelo menos chegado perto do vídeo que arrastou o município...

 Publicado em 24 de abril 2010
Não há, em Arapiraca, quem não tenha assistido ou pelo menos chegado perto do vídeo que arrastou o município do agreste alagoano e seus 210.520 habitantes para o centro dos escândalos sexuais que colocam a Igreja Católica em uma de suas mais graves crises da história.
Gravado com uma câmera portátil, o vídeo mostra o ex-coroinha Fabiano Silva Ferreira, de 20 anos, mantendo relações sexuais com o monsenhor Luiz Marques Barbosa, de 82 anos.

Filmada por um amigo da vítima, o ex-coroinha Cícero Flávio, de 22 anos, que também diz ter sofrido abusos, a gravação se transformou em uma bomba que resultou em dois inquéritos policiais e afastou de seus postos três dos mais influentes integrantes da igreja local.

DVDs nos camelôs

Até hoje, mais de um ano após o registro e mais de um mês depois de o escândalo ganhar repercussão mundial – com a veiculação do vídeo em uma emissora de TV – ainda é possível encontrar o “filme” pelas ruas de Arapiraca: apesar do cerco policial, que deixa ambulantes circularem livremente com produtos piratas pelas ruas, mas não permite a venda de material relativo ao escândalo, quem não tem o filme “completo e original” em mãos sabe pelo menos os caminhos para se chegar a ele.

É vendido em bancas ou carrocinhas de DVDs piratas por até R$ 15, a depender da qualidade das imagens; ou passada de mão em mão, como quem troca figurinha, via Bluetooth. Para festa dos curiosos, a pirataria providenciou até a capa para os DVDs, com imagem do monsenhor Luiz celebrando uma missa e, sobre seus ombros, um garoto carregando uma cruz.

Após as imagens serem veiculadas no programa Conexão Repórter, do SBT, a repercussão foi tanta que a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pedofilia no Senado foi até a cidade para ouvir as supostas vítimas e algozes durante três dias no fórum de Arapiraca, de onde o monsenhor Luiz Marques Barbosa saiu preso, no último domingo. Ele negava as acusações até que o vídeo foi exibido durante a sessão, o que gerou perplexidade e revolta na comunidade religiosa arapiraquense.

Cidade dividida

As consequências do escândalo deixaram dividido o segundo maior município de Alagoas, que até então se notabilizava por ser polo produtor de fumo, cana-de-açúcar e também pelo futebol: o ASA de Arapiraca é hoje a principal força do futebol alagoano, e já protagonizou partidas históricas contra os primos ricos do Sul.

Hoje, na cidade, há quem condene os padres antes mesmo do julgamento pelos atos dos quais são acusados, e os garotos, por supostamente terem se aproveitado ou exposto indevidamente a imagem dos religiosos. E há também quem mantém, e manterá, apoio e solidariedade aos párocos – reconhecendo ou não os possíveis pecados – e recriminam apenas a atitude dos jovens.

Numa cidade que se voltou contra eles, restou aos rapazes, hoje maiores de 18 anos, se manterem reclusos em casa para evitar olhares, comentários e ameaças. Desnorteados, dizem querer recomeçar uma vida interrompida, mas ainda não sabem o que fazer após o escândalo – um deles perdeu a namorada por ordem expressa da família da menina.

Suposta extorsão
Negam querer qualquer indenização ou vantagem indevida do caso, mas são investigados por suposta extorsão praticada contra os religiosos. Pensam em sair da cidade, mas não sabem para onde ir. Aguardam ainda proteção policial porque temem eventual retaliação. Assim como os supostos algozes, os adolescentes também se queixam do fim da liberdade. A liberdade de caminhar pelas ruas e voltar para casa sem ser notado.

Detido sob suspeita de tentar deixar o País – em meio às investigações ele providenciava passaporte para a Itália –, monsenhor Luiz cumpre hoje prisão domiciliar. Quem o visitou diz que ele está “morto”, não olha nos olhos de amigos fieis, que ainda hoje fazem filas para visitá-lo e prestar solidariedade.
De dentro de casa, talvez não saiba que até a escola que leva seu nome em Arapiraca retirou a menção da fachada. Os outros dois acusados, monsenhor Raimundo Gomes do Nascimento e o padre Edílson Duarte – este sob escolta policial após aceitar a delação premiada – também não podem, ao menos até o final das investigações, celebrar missas nem circular pela cidade impunemente.

A vergonha e a reclusão são a realidade comum, hoje, tanto para os padres como para os jovens delatores de Arapiraca. último segundo

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